Um dos lugares mais populares para se passear em Campinas é a Feira Hippie que acontece no Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes; ou ainda a Feira Cultural da Praça Imprensa Fluminense. São poucos os que sabem os nomes oficiais da feira, da praça e do Centro.

A feira ocorre aos sábados e domingos, das 9h às 14h, e oferece uma variedade de produtos artesanais, moda alternativa, gastronomia, antiguidades e música ao vivo. É um marco cultural que fomenta a economia criativa, e valoriza o trabalho manual de artesãos locais.

 

Sua primeira manifestação aconteceu em 1973, quando o movimento hippie estava no auge. Naquela época, tudo o que se vendia eram roupas e bijuterias confeccionadas pelos integrantes do movimento.

Seu primeiro endereço foi o Largo das Andorinhas, que logo ficou pequeno para a quantidade de artesãos e frequentadores. Em 1975 foi necessário mudar para um local mais amplo e a feira foi transferida para o Largo do Rosário. Passados mais dois anos, pelo mesmo motivo, foi novamente transferida para a Praça Carlos Gomes. Nesse mesmo ano a prefeitura tornou a feira “oficial” e regulamentou seu funcionamento, requerendo a necessidade de cadastro e, a partir de 1980, passou a haver um processo de seleção para os candidatos interessados em participar como expositores. O processo seletivo é determinado pelo Decreto Municipal 19.609, de 11 de setembro de 2017.

Desde 1997 a feira acontece na Praça Imprensa Fluminense. Atualmente conta com mais de 300 expositores. A grande maioria de artesão regionais, mas ainda é possível ver-se alguns hippies por ali, vendendo suas produções.

 

Um pouco de história

Ao final do século XIX, Campinas era uma das cidades mais ricas do Brasil. Sua economia superava a da cidade de São Paulo, e era considerada a capital agrícola do estado.

Isso porém mudou drasticamente a partir de 1889. Naquele ano ocorreu o primeiro caso com falecimento pela frebe amarela na cidade. Desse ano até 1997 houve outros quatro fortes surtos da doença. O fato é que a cidade não estava preparada e acabou perdendo três quartos de sua população, parte como vítimas da epidemia e parte fugiu da cidade. A consequência mais sensível foi o forte desaquecimento nas atividades econômicas de Campinas, com o abandono de diversas atividades agrícolas e liberais.

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Negativo de Aristides Pedro da Silva (V8). Parte da coleção do Centro de Memória - Unicamp (CMU)

Praça_Imprensa_Fluminense,_Centro_de_Memória_-_Unicamp_(APS_1.1.0280) (1). Praça Imprensa Fluminense

Praça_Imprensa_Fluminense,_Centro_de_Memória_-_Unicamp_(APS_1.1.0281) (1). Negativo de Aristides Pedro da Silva (V8). Parte da coleção do Centro de Memória - Unicamp (CMU)

Chafariz da Praça Imprensa Fluminense

 

 

Foi nesse período que os jornais do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, se juntaram em solidariedade à população campineira e enviou periodicamente alimentos e remédios para aqueles que permaneceram.

O nome dado à praça Imprensa Fluminense é uma manifestação de agradecimento à ajuda recebida.

 

Atualidade

Além da feira hippie, o Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes  que, na verdade, é um conjunto de equipamentos culturais, oferece grande diversidade de atividades ligadas às artes e à cultura.

O Centro de Convivência, projeto do arquiteto Fábio Penteado, foi inaugurado em 1976 e, na forma como hoje se vê, é o resultado de um período de catorze anos de reformas que se iniciaram em 2011 e foi reaberto em julho de 2025.

É atualmente a casa da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. A sala de espetáculos Luís Otávio Burnier possui 500 lugares.

Na área externa há também o Teatro de Arena Teresa Aguiar que comporta 2.500 pessoas.

Além desses, outros espaços são as três galerias voltadas para exposições visuais: Galeria Aldo Caldarelli, Galeria Bernardo Caro e Galeria C.

Mantenha-se informado sobre as programações dos espaços culturais do Centro de Convivência e programe-se para fazer uma visita. Vale a pena. 

 

As fotografias da Feira Hippie foram feitas em setembro de 2025 por Raul Cecilio.